Microalgas: captura de carbono e produção sustentável de biocombustíveis
Microalgas capturam CO₂ pela fotossíntese e geram biomassa utilizável em biocombustíveis de forma sustentável.
MICROORGANISMOS


Como ocorre o processo biológico envolvido
O mecanismo central da captura de CO₂ pelas microalgas é a fotossíntese. Durante esse processo, a energia da luz solar é usada para transformar CO₂ e água em compostos orgânicos que formam a estrutura da célula (NATURE, 2019).
Uma forma simples de visualizar esse processo é imaginar as microalgas como pequenas fábricas solares. Elas absorvem luz, utilizam CO₂ como matéria-prima e produzem biomassa como produto final. Essa biomassa é composta principalmente por lipídios, carboidratos e proteínas (FIOCRUZ, 2022).
A eficiência desse processo depende de fatores como intensidade luminosa, disponibilidade de nutrientes e temperatura, o que explica a importância de sistemas de cultivo bem controlados.
Evidências científicas, modelos e limitações
Diversos modelos experimentais demonstram que sistemas de cultivo de microalgas podem ser conectados a fontes concentradas de CO₂, como gases industriais, permitindo o reaproveitamento desse carbono antes que ele seja liberado na atmosfera (SCIENCEDIRECT, 2023).
Entretanto, a maioria desses estudos ocorre em escala laboratorial ou piloto. A ampliação para escala industrial envolve desafios técnicos, como controle de contaminação, manutenção das condições ideais de crescimento e manejo da biomassa produzida (EMBRAPA, 2021).
Essas limitações mostram que, embora o potencial seja real, a aplicação prática ainda depende de avanços tecnológicos consistentes.
Produção de biocombustíveis a partir de microalgas
A biomassa das microalgas pode ser transformada em biocombustíveis porque muitas espécies acumulam lipídios como reserva energética. Esses lipídios podem ser convertidos em biodiesel, enquanto os carboidratos podem ser utilizados na produção de bioetanol (PUBMED, 2021).
Comparadas a culturas agrícolas tradicionais, as microalgas apresentam a vantagem de não competir diretamente por solo arável e de poderem ser cultivadas em ambientes controlados, inclusive utilizando água não potável (FAPESP, 2022).
Essas características explicam por que a produção de biocombustíveis a partir de microalgas é considerada uma alternativa complementar às fontes renováveis já existentes.
Sistemas de cultivo e desafios tecnológicos
Os sistemas de cultivo de microalgas podem ser divididos em abertos e fechados. Sistemas abertos, como lagoas, apresentam menor custo inicial, mas são mais vulneráveis a variações climáticas e contaminações (SCIELO, 2020).
Já os sistemas fechados, conhecidos como fotobiorreatores, permitem maior controle sobre luz, temperatura e nutrientes, aumentando a eficiência de captura de CO₂. No entanto, exigem maior investimento e manutenção especializada (SCIENCEDIRECT, 2023).
A escolha do sistema influencia diretamente a viabilidade econômica e ambiental do processo.
Avanços científicos recentes
Pesquisas recentes têm focado na seleção de espécies mais eficientes e na otimização das condições de cultivo para aumentar a produtividade das microalgas (NATURE, 2022). Também há estudos que integram o cultivo de microalgas ao tratamento de efluentes, aproveitando nutrientes presentes nesses resíduos.
Esses avanços indicam caminhos promissores, mas reforçam que a tecnologia ainda está em desenvolvimento e depende de validações em maior escala (IPCC, 2023).
Impactos sociais e científicos conhecidos
Do ponto de vista científico, o estudo das microalgas contribui para o entendimento dos ciclos do carbono e dos processos fotossintéticos. Socialmente, essas pesquisas ampliam o leque de soluções energéticas sustentáveis disponíveis (EMBRAPA, 2021).
Especialistas destacam, porém, que o impacto real dessas tecnologias depende de políticas públicas, investimentos e integração com outras estratégias ambientais (FIOCRUZ, 2022).
FAQ
O que são microalgas?
São microrganismos aquáticos fotossintéticos que utilizam luz e CO₂ para crescer (SCIELO, 2020).Como as microalgas capturam CO₂?
Elas absorvem CO₂ durante a fotossíntese e o convertem em biomassa (PUBMED, 2021).Microalgas substituem combustíveis fósseis?
Não. Elas são estudadas como complemento a outras fontes renováveis (IPCC, 2023).Toda microalga pode produzir biocombustível?
Não. Apenas algumas espécies acumulam altos teores de lipídios (FAPESP, 2022).O cultivo de microalgas usa terra agrícola?
Não. O cultivo ocorre em ambientes aquáticos ou sistemas artificiais (EMBRAPA, 2021).A tecnologia já está amplamente disponível?
Ainda não. Existem desafios técnicos e econômicos a superar (SCIENCEDIRECT, 2023).
Conclusão
Microalgas representam uma aplicação concreta de processos biológicos naturais para a captura de CO₂ e a produção de biomassa com potencial energético. A ciência já demonstrou sua eficiência fotossintética e sua capacidade de gerar matéria-prima para biocombustíveis.
Apesar das limitações atuais, os avanços contínuos indicam que as microalgas podem desempenhar um papel relevante em estratégias futuras de sustentabilidade, sempre como parte de um conjunto de soluções baseadas em evidências científicas e planejamento de longo prazo.
Fontes, citações e referências
IPCC – (Relatório científico) + EQUIPE TÉCNICA – AR6 Climate Change Mitigation. Genebra/Suíça, 2023.
https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg3/downloads/report/IPCC_AR6_WGIII_FullReport.pdf
Acessado em 05/02/2026.
FAPESP – (Revista científica) + SILVA, R. – Microalgas e bioenergia sustentável. São Paulo/Brasil, 2022.
https://revistapesquisa.fapesp.br/microalgas-e-bioenergia-sustentavel/
Acessado em 05/02/2026.
EMBRAPA – (Relatório técnico) + COSTA, L. – Microalgas na captura biológica de carbono. Brasília/Brasil, 2021.
https://www.embrapa.br/documents/1355242/1529285/microalgas_carbono.pdf
Acessado em 05/02/2026.
Assinatura editorial aplicada:
Artigo de Thaís Ramos Dias, médica veterinária (CRMV-SP 59927), com experiência em microbiologia, patologia veterinária, animais silvestres e produção científica, atuando como editora científica e gerente de conteúdo do Mundo Micro.
A elevação das emissões de dióxido de carbono (CO₂) é um dos principais desafios ambientais do século XXI, influenciando o clima, os ecossistemas e a disponibilidade de recursos naturais (IPCC, 2023). Diante desse cenário, a ciência tem investigado soluções que utilizem processos naturais para reduzir a presença desse gás na atmosfera de forma contínua e mensurável.
Entre essas soluções, as microalgas se destacam por serem microrganismos fotossintéticos capazes de absorver CO₂ e transformá-lo em matéria orgânica utilizando apenas luz solar, água e nutrientes simples (FAPESP, 2022). Esse processo ocorre de maneira semelhante ao das plantas, porém com maior velocidade de crescimento e eficiência metabólica.
Além do papel ambiental, a biomassa produzida pelas microalgas pode ser aproveitada como matéria-prima para a geração de biocombustíveis, o que amplia o interesse científico e industrial nesse grupo de microrganismos (EMBRAPA, 2021). Entender como esse processo funciona e quais são suas limitações é essencial para avaliar seu potencial real.
O que a ciência já sabe sobre microalgas e captura de carbono
Microalgas são organismos microscópicos encontrados em ambientes aquáticos, como lagos, rios e oceanos. Diferentemente das algas macroscópicas, elas são unicelulares ou formam colônias simples, o que permite rápida multiplicação e alta taxa de renovação celular (SCIELO, 2020).
Esses microrganismos utilizam o CO₂ dissolvido na água ou presente no ar como fonte de carbono para a fotossíntese. Estudos científicos mostram que, em condições adequadas, as microalgas podem capturar carbono de forma mais eficiente do que muitas plantas terrestres, justamente por crescerem mais rápido e ocuparem menor espaço físico (PUBMED, 2021).
Essa capacidade torna as microalgas relevantes em pesquisas voltadas à mitigação das emissões de gases do efeito estufa, especialmente quando integradas a sistemas controlados de cultivo.